“Acreanos decidem voltar ao horário antigo em votação do referendo”

RIO BRANCO - Eleitores acreanos votaram, ontem (31), em um referendo para decidir sobre a mudança do horário no Estado. Com 91% das urnas apuradas até as 23h20, 57,07% dos acreanos preferem retornar para o antigo fuso horário, de duas horas a menos de diferença em relação ao horário de Brasília.

Apenas 42,93% dos eleitores preferiram manter o horário atual, de apenas uma hora de diferença. O atual fuso horário está em vigor desde 2008. O voto no referendo foi obrigatório.

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Acre, o resultado será encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e depois para o Congresso, para a criação de uma nova lei para a mudança de horário.

A mudança

A mudança foi defendida no Congresso Nacional pelo senador Tião Viana (PT), por meio da lei nº 11.662, de 24 de abril de 2008. Segundo ele, a mudança da lei corrige um erro histórico que durou mais de 90 anos.

Após as eleições do primeiro turno, campanhas institucionais encabeçadas por comitês do SIM (55) e NÃO (77), passaram a ser divulgadas na mídia, estimulando a sociedade a responder a seguinte pergunta: "Você é a favor da recente alteração do horário legal promovida no seu Estado?".

Quatro horários

O chefe da Divisão Serviço da Hora do Observatório Nacional, Ricardo José de Carvalho, explicou que até 2008 o Brasil tinha quatro fusos.

O Acre e parte do Amazonas ficavam a menos cinco horas do horário de Greenwich. Com a lei de 2008, as áreas passaram a ficar a menos quatro horas, o que reduziu a diferença em relação à hora oficial de Brasília (menos uma hora, no horário normal, ou menos duas horas, no horário de verão).

Para o coordenador do grupo do "Não", Missias Lopes, "o princípio da democracia não foi respeitado" na época da mudança. Ele diz também que estudantes e trabalhadores foram prejudicados porque saem de manhã ainda no escuro.

O grupo apontava ainda a hipótese de que a mudança quis ajudar emissoras de TV. Desde 2007, por decisão do Ministério da Justiça, as redes devem respeitar a classificação indicativa de horário de acordo com cada faixa etária. (NS)

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